Desecad Arquitetura & Assessoria Imobiliária
Mercado e economia · São Paulo

Imóvel em São Paulo em cada governo: o que 17 anos de FipeZap mostram

Descontada a inflação, o preço do imóvel em São Paulo subiu 36% em 2009 e 2010 e 41% no primeiro governo Dilma, caiu 15% entre 2015 e 2018 e mais 8,5% no governo Bolsonaro. De 2023 a 2025, ficou estável. O que separou os ciclos não foi o partido: foi o juro, o crédito e o emprego.

Por Desecad Arquitetura e Assessoria Imobiliária · atualizado em · 4 min de leitura

Projeto 3D da Desecad de casa de dois pavimentos com piscina e área gourmet, imóvel residencial em São Paulo

Preço de venda em SP x inflação x custo da construção, por mandato

Lula 2, anos de 2009 e 2010+50,7%+10,5%+36,5%+11,0%
Dilma 1 (2011 a 2014)+79,7%+27,0%+41,5%+33,1%
Dilma 2 e Temer (2015 a 2018)+6,2%+25,6%-15,4%+23,3%
Bolsonaro (2019 a 2022)+16,1%+26,9%-8,5%+41,2%
Lula 3 (2023 a 2025)+16,6%+14,3%+2,0%+16,6%

Cálculo da Desecad sobre as variações anuais do Índice FipeZap de venda residencial de São Paulo (Fipe), do IPCA (IBGE) e do INCC-M (FGV). O FipeZap começa em 2008, por isso o segundo governo Lula aparece só com 2009 e 2010. Em 2026, até setembro, os imóveis de SP sobem 3,64% em 12 meses, abaixo da inflação.

O boom: crédito barato e emprego (2009 a 2013)

Entre 2009 e 2013, o preço do imóvel em São Paulo subiu mais de 13% ao ano, com picos acima de 26% em 2011. Foi a combinação de juros em queda, crédito imobiliário crescendo rápido, desemprego baixo e o início do Minha Casa, Minha Vida. Quem comprou nesse período ganhou muito acima da inflação.

A virada de 2014: o paralelo mais próximo de hoje

Em 26 de outubro de 2014, Dilma Rousseff foi reeleita num segundo turno apertado. Três dias depois, em 29 de outubro, o Copom surpreendeu e subiu a Selic de 11% para 11,25%. O ciclo de alta foi até 14,25% em julho de 2015, com o país em recessão.

O efeito no imóvel veio nos anos seguintes: de 2015 a 2018, os preços em São Paulo subiram só 6,2% no total, contra 25,6% da inflação. Uma perda real de 15%.

Em 2026 o roteiro tem semelhanças: reeleição apertada, preocupação com as contas públicas e mercado apostando em alta de juros na primeira reunião do Copom depois do resultado. E tem diferenças importantes: a Selic já parte de 13,75%, o desemprego está baixo e o crédito imobiliário vinha batendo recorde, com projeção da Abecip de R$ 410 bilhões em 2026. O próximo ano vai depender mais da resposta fiscal do governo do que do resultado da urna.

Quando construir foi pior negócio que comprar pronto

A última coluna da tabela mostra o outro lado. No governo Bolsonaro, o custo da obra subiu 41%, puxado por pandemia, aço e dólar, enquanto o preço do imóvel pronto em São Paulo subiu 16%. Quem construía para vender teve a margem espremida. De 2023 a 2025, custo e preço andaram juntos, com alta de 16,6% nos dois.

Para quem constrói ou reforma para vender ou alugar, o recado é: o custo da obra precisa caber no preço de mercado de hoje, não no de daqui a dois anos.

O que 2026 já mostra

Os dados mais recentes do FipeZap, de setembro de 2026:

  • Em São Paulo, o imóvel sobe 3,64% em 12 meses, abaixo da inflação.
  • O aluguel sobe mais rápido que o preço de venda: 6,22% em 12 meses na capital.
  • No país, imóveis de 1 dormitório lideram a valorização (7,48% em 12 meses), e os de 3 dormitórios ficaram para trás (3,87%).
  • O preço médio de venda em São Paulo é de R$ 12.206 por m².

O que a série ensina

Três lições valem em qualquer governo:

  • Juro e crédito decidem o ciclo do imóvel.
  • Depois de uma alta de juros, o preço costuma reagir com atraso de um a dois anos, não no dia seguinte.
  • Em ciclo de juro alto, imóvel com documentação em ordem vende e financia; o irregular espera.
  • Este conteúdo é uma análise de dados históricos e não é recomendação de investimento.

Perguntas frequentes

Em qual governo o imóvel em São Paulo mais valorizou?

Descontada a inflação, no primeiro governo Dilma (2011 a 2014, +41,5%) e nos dois últimos anos do segundo governo Lula (2009 e 2010, +36,5%), no auge do crédito imobiliário.

Quando o imóvel em São Paulo perdeu valor?

Entre 2015 e 2018, depois da alta de juros que começou logo após a eleição de 2014: queda real de 15,4%. No governo Bolsonaro, a perda real foi de mais 8,5%.

A reeleição de 2026 vai derrubar o preço dos imóveis?

Não há como saber. O paralelo com 2014 mostra que o efeito depende de quanto e por quanto tempo os juros sobem. Hoje o emprego e o crédito estão em situação melhor do que em 2015.

O que é o Índice FipeZap?

É o índice da Fipe que acompanha o preço anunciado de imóveis residenciais em 56 cidades, com série desde 2008.

Construir para vender ainda compensa?

Depende da margem. De 2023 a 2025, o custo da obra e o preço do imóvel subiram no mesmo ritmo. O orçamento precisa ser feito sobre o preço de venda atual da região.

Mande a matrícula e o IPTU. A gente diz o caminho e o custo antes de começar.

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