Desecad Arquitetura & Assessoria Imobiliária
Mercado e economia · São Paulo

Lula reeleito: o que muda para quem constrói, reforma ou investe em imóvel

No dia seguinte à reeleição, o mercado passou a apostar em juros mais altos: o dólar chegou a subir 12% e os juros futuros, perto de 3 pontos. Isso encarece o crédito para comprar e construir, principalmente no médio e alto padrão. O Minha Casa, Minha Vida tende a seguir como base do setor. Aprovação e regularização da obra não mudam: são regras da Prefeitura.

Por Desecad Arquitetura e Assessoria Imobiliária · atualizado em · 4 min de leitura

Projeto 3D da Desecad de área de lazer com piscina e pergolado de madeira, imóvel de médio e alto padrão

O primeiro dia depois do resultado (26/10/2026)

ResultadoLula, 51,79% dos votos válidos; Flávio Bolsonaro, 48,21%TSE
IbovespaQueda de até 17,3% na mínima do dia, com negociação interrompida (circuit breaker) pela primeira vez desde março de 2020B3, via Movimento Econômico
DólarMáxima de R$ 5,60, alta de 12% sobre o fechamento de sexta (R$ 4,99)Movimento Econômico, Investing.com
Juros futuros (DI jan/2031)Chegaram a 15,5% ao ano, alta de quase 3 pontosReuters, via Movimento Econômico
ConstrutorasCyrela e MRV chegaram a cair cerca de 40%; Direcional e Tenda, cerca de 22%InfoMoney, BP Money
Selic13,75% ao ano; próxima decisão em 4/11, com alta precificada nos juros futurosBanco Central, InfoMoney

Movimentos máximos registrados durante o pregão de 26/10/2026. A Desecad não apoia candidatos; este conteúdo explica o efeito do cenário no imóvel.

Por que o mercado reagiu assim

Boa parte dos investidores apostava na vitória de Flávio Bolsonaro, associada a um ajuste mais duro nas contas públicas. Com a continuidade, a dúvida voltou para a trajetória da dívida, que está em 82,9% do PIB.

Quando o mercado desconfia das contas, cobra mais para emprestar ao governo por prazos longos. É esse juro longo que serve de base para o financiamento imobiliário. O Tesouro fez uma recompra extraordinária de títulos, de cerca de R$ 7,1 bilhões, para acalmar os negócios, e o Ministério da Fazenda disse que o objetivo é garantir o funcionamento do mercado, não definir preço.

O que muda para quem vai financiar ou construir

Os efeitos aparecem aos poucos, não de um dia para o outro:

  • Crédito mais caro. Os bancos ajustam a taxa do financiamento ao longo de semanas e meses. Quem já tem crédito aprovado com taxa definida não é afetado.
  • Copom de 4 de novembro. Antes do resultado, o mercado esperava a Selic em 13,25% no fim do ano (Boletim Focus, coletado antes do 2º turno). Agora os juros futuros já embutem alta, e a decisão vai mostrar se o ciclo de corte terminou.
  • Materiais com componente em dólar, como aço, cobre e parte dos acabamentos e equipamentos, tendem a subir nos próximos meses se o câmbio não voltar. A mão de obra não depende disso.

O que muda para o investidor em imóvel

Juro alto faz duas coisas ao mesmo tempo: deixa a renda fixa mais atraente que o aluguel e reduz o número de compradores que dependem de financiamento. Por isso o médio e alto padrão costumam sentir mais, e foram as incorporadoras desse segmento que mais caíram na Bolsa.

Do outro lado, o aluguel segue subindo acima da inflação: 9,13% em 12 meses no país e 6,22% na cidade de São Paulo, pelo FipeZap de setembro. Quem não consegue financiar continua precisando morar.

Minha Casa, Minha Vida: a parte mais previsível

O plano de governo reeleito mantém o Minha Casa, Minha Vida como pilar da habitação e promete ampliar o Reforma Casa Brasil, a linha da Caixa para reforma. Segundo a CBIC, o programa respondeu por 58% dos lançamentos residenciais no 2º trimestre de 2026.

Analistas veem as construtoras focadas no programa como as mais protegidas, ainda que o crédito mais caro limite o crescimento.

O que não muda com o resultado

Para quem tem imóvel em São Paulo, estas regras seguem iguais:

  • Aprovar projeto, tirar alvará e habite-se: regra municipal.
  • Regularizar construção existente e averbar no cartório: regra municipal e do registro de imóveis.
  • Prazo da Lei da Anistia de SP: protocolo até 30/11/2026 (Decreto 65.481/2026).
  • Banco só aceita como garantia imóvel com a documentação em ordem.
  • Com crédito mais difícil, imóvel regularizado é o que pode ser vendido, financiado e dado em garantia. É o que dá para resolver agora sem depender de juros.

Perguntas frequentes

A Selic vai subir depois da eleição?

O mercado passou a apostar em alta já no Copom de 4 de novembro, mas a decisão é do Banco Central e depende da inflação e do câmbio. Antes do resultado, a expectativa era de queda até 13,25% no fim do ano.

O financiamento imobiliário vai ficar mais caro?

A tendência é essa se os juros longos continuarem altos, mas o repasse dos bancos é gradual. Quem já tem taxa contratada não muda.

O Minha Casa, Minha Vida continua?

Sim. O programa é a base do plano de habitação do governo reeleito.

Vale a pena investir em imóvel agora?

Depende do objetivo e do prazo. Com juros altos, a renda fixa paga mais que o aluguel no curto prazo, mas imóvel bem documentado segue sendo um ativo de longo prazo. Este conteúdo não é recomendação de investimento.

A eleição muda o prazo da Lei da Anistia?

Não. O prazo de protocolo em São Paulo vai até 30/11/2026.

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