
Custo da construção x inflação em cada mandato
| Mandato | INCC-M acumulado | IPCA acumulado | Média anual do INCC | Acima da inflação |
|---|---|---|---|---|
| Lula 1 (2003 a 2006) | 42,9% | 28,2% | 9,3% | +11,5% |
| Lula 2 (2007 a 2010) | 31,8% | 22,2% | 7,2% | +7,9% |
| Dilma 1 (2011 a 2014) | 33,1% | 27,0% | 7,4% | +4,8% |
| Dilma 2 e Temer (2015 a 2018) | 23,3% | 25,6% | 5,4% | -1,8% |
| Bolsonaro (2019 a 2022) | 41,2% | 26,9% | 9,0% | +11,2% |
| Lula 3 (2023 a 2025) | 16,6% | 14,3% | 5,2% | +1,9% |
Cálculo da Desecad sobre as variações anuais do INCC-M (FGV) e do IPCA (IBGE), por ano-calendário. Dilma 2 e Temer aparecem juntos porque a troca foi em agosto de 2016. Em 2026, até setembro, o INCC-M acumula 5,85% no ano e 6,61% em 12 meses.
Os anos mais caros tiveram causas externas
Os quatro maiores saltos anuais do INCC-M desde 2003 foram:
- 2003 (14,75%): herança da eleição de 2002, quando o dólar saiu de cerca de R$ 2,30 em janeiro para perto de R$ 4 em outubro. Materiais cotados em dólar, como aço, cobre e PVC, repassaram a alta ao longo do ano seguinte.
- 2021 (14,03%): pandemia. Fábricas paradas, falta de aço e cimento no mundo e dólar acima de R$ 5.
- 2008 (11,97%): pico das commodities antes da crise financeira mundial, com a construção aquecida no Brasil.
- 2004 (10,94%): continuação do repasse do câmbio e economia em retomada.
- Em comum: nenhum desses saltos veio de uma medida de governo voltada à construção. Foram choques de câmbio e de preço internacional de insumos.
Ano de eleição não tem padrão
Comparando o ano de cada eleição com o ano seguinte, o INCC-M não segue regra nenhuma:
- 2006: 5,05% no ano da eleição e 6,03% no ano seguinte.
- 2010: 7,57% e 7,58%.
- 2014: 6,74% e 7,22%.
- 2018: 3,97% e 4,13%.
- 2022: 9,41% e 3,34%.
Onde a eleição pesa: o dólar
A eleição mexe no custo da obra principalmente pelo câmbio. Em 2002, a incerteza fez o dólar disparar e o custo da construção subiu quase 15% no ano seguinte.
Em 2026, o movimento foi o contrário até aqui: no dia seguinte ao 1º turno, o dólar caiu 4,12% e fechou em R$ 5,00. Se esse patamar se mantiver, materiais importados ou cotados em dólar tendem a pressionar menos o orçamento de 2027. Se reverter, pressionam mais.
A mão de obra, que é parte grande do custo de qualquer obra, não depende do dólar. Por isso o INCC segue perto de 6,6% em 12 meses, acima da inflação geral, mesmo com o câmbio mais calmo.
O que isso significa para a sua obra
Na prática, três cuidados valem em qualquer governo:
- Orçamento envelhece rápido. Com o INCC em 6,6% ao ano, uma obra de R$ 500 mil fica cerca de R$ 16 mil mais cara a cada 6 meses parada.
- Contrato longo precisa de reajuste claro. Em obras de mais de 6 meses, preço fixo costuma vir com margem embutida; reajuste pelo INCC deixa a conta transparente para os dois lados.
- Projeto aprovado é tempo ganho. Em São Paulo, a etapa mais demorada costuma ser a aprovação na Prefeitura, e ela não depende de quem governa o país. Começar projeto e protocolo antes de marcar a data da obra evita que o custo suba enquanto o alvará não sai.
Perguntas frequentes
Em qual governo construir ficou mais caro?
Acima da inflação, no primeiro mandato de Lula (2003 a 2006) e no de Bolsonaro (2019 a 2022), ambos com cerca de 11% de alta real pelo INCC-M. Os dois períodos tiveram choques externos: a disparada do dólar de 2002 e a pandemia.
Quanto o custo da construção subiu em 2026?
Até setembro, 5,85% no ano e 6,61% em 12 meses, pelo INCC-M da FGV.
O custo da obra cai depois da eleição?
Não há padrão histórico. O que pode mudar é o dólar, que afeta parte dos materiais. A mão de obra não depende da eleição.
O que é o INCC?
É o índice da FGV que mede a variação de preço de materiais, mão de obra e serviços da construção. É usado para reajustar contratos de obra e de imóveis comprados na planta.
Vale esperar para construir?
Esperar só compensa se houver expectativa de queda de preço, e o histórico mostra o contrário: o INCC-M subiu em todos os 23 anos analisados. O que dá para adiantar sem gastar com a obra é o projeto e a aprovação.
Mande a matrícula e o IPTU. A gente diz o caminho e o custo antes de começar.
Falar no WhatsAppBase legal
- Séries anuais do INCC-M (FGV IBRE) e do IPCA (IBGE), de 2003 a 2025, e INCC-M de 2026 até setembro
- Código de Obras e Edificações de São Paulo, Lei Municipal 16.642/2017 (licenciamento e alvará de obra)
Fontes
- FGV: INCC-M 2026
- Sinduscon-PR: série histórica do INCC-M (FGV)
- Dados de Mercado: histórico anual do INCC-M
- B3 Bora Investir: IPCA fecha 2025 em 4,26%
- CNN Brasil: dólar fecha abaixo de R$ 5 após o 1º turno (06/10/2026)
- Nord Investimentos: maiores altas históricas do dólar
Conteúdo informativo, atualizado em 21 de outubro de 2026. Cada caso é analisado individualmente.


