Desecad Arquitetura & Assessoria Imobiliária
Custos de obra · São Paulo

Construir ficou mais caro em qual governo? O que 23 anos de INCC mostram

De 2003 a 2025, o custo da construção medido pelo INCC-M, da FGV, subiu 409%, contra 263% da inflação geral. Os dois mandatos em que construir mais encareceu acima da inflação foram o primeiro de Lula (2003 a 2006) e o de Bolsonaro (2019 a 2022), ambos com cerca de 11% de alta real. A explicação está no câmbio e nos insumos, não no partido.

Por Desecad Arquitetura e Assessoria Imobiliária · atualizado em · 4 min de leitura

Projeto 3D da Desecad de sobrado com garagem coberta e portões pretos, obra cujo orçamento acompanha o INCC

Custo da construção x inflação em cada mandato

Lula 1 (2003 a 2006)42,9%28,2%9,3%+11,5%
Lula 2 (2007 a 2010)31,8%22,2%7,2%+7,9%
Dilma 1 (2011 a 2014)33,1%27,0%7,4%+4,8%
Dilma 2 e Temer (2015 a 2018)23,3%25,6%5,4%-1,8%
Bolsonaro (2019 a 2022)41,2%26,9%9,0%+11,2%
Lula 3 (2023 a 2025)16,6%14,3%5,2%+1,9%

Cálculo da Desecad sobre as variações anuais do INCC-M (FGV) e do IPCA (IBGE), por ano-calendário. Dilma 2 e Temer aparecem juntos porque a troca foi em agosto de 2016. Em 2026, até setembro, o INCC-M acumula 5,85% no ano e 6,61% em 12 meses.

Os anos mais caros tiveram causas externas

Os quatro maiores saltos anuais do INCC-M desde 2003 foram:

  • 2003 (14,75%): herança da eleição de 2002, quando o dólar saiu de cerca de R$ 2,30 em janeiro para perto de R$ 4 em outubro. Materiais cotados em dólar, como aço, cobre e PVC, repassaram a alta ao longo do ano seguinte.
  • 2021 (14,03%): pandemia. Fábricas paradas, falta de aço e cimento no mundo e dólar acima de R$ 5.
  • 2008 (11,97%): pico das commodities antes da crise financeira mundial, com a construção aquecida no Brasil.
  • 2004 (10,94%): continuação do repasse do câmbio e economia em retomada.
  • Em comum: nenhum desses saltos veio de uma medida de governo voltada à construção. Foram choques de câmbio e de preço internacional de insumos.

Ano de eleição não tem padrão

Comparando o ano de cada eleição com o ano seguinte, o INCC-M não segue regra nenhuma:

  • 2006: 5,05% no ano da eleição e 6,03% no ano seguinte.
  • 2010: 7,57% e 7,58%.
  • 2014: 6,74% e 7,22%.
  • 2018: 3,97% e 4,13%.
  • 2022: 9,41% e 3,34%.

Onde a eleição pesa: o dólar

A eleição mexe no custo da obra principalmente pelo câmbio. Em 2002, a incerteza fez o dólar disparar e o custo da construção subiu quase 15% no ano seguinte.

Em 2026, o movimento foi o contrário até aqui: no dia seguinte ao 1º turno, o dólar caiu 4,12% e fechou em R$ 5,00. Se esse patamar se mantiver, materiais importados ou cotados em dólar tendem a pressionar menos o orçamento de 2027. Se reverter, pressionam mais.

A mão de obra, que é parte grande do custo de qualquer obra, não depende do dólar. Por isso o INCC segue perto de 6,6% em 12 meses, acima da inflação geral, mesmo com o câmbio mais calmo.

O que isso significa para a sua obra

Na prática, três cuidados valem em qualquer governo:

  • Orçamento envelhece rápido. Com o INCC em 6,6% ao ano, uma obra de R$ 500 mil fica cerca de R$ 16 mil mais cara a cada 6 meses parada.
  • Contrato longo precisa de reajuste claro. Em obras de mais de 6 meses, preço fixo costuma vir com margem embutida; reajuste pelo INCC deixa a conta transparente para os dois lados.
  • Projeto aprovado é tempo ganho. Em São Paulo, a etapa mais demorada costuma ser a aprovação na Prefeitura, e ela não depende de quem governa o país. Começar projeto e protocolo antes de marcar a data da obra evita que o custo suba enquanto o alvará não sai.

Perguntas frequentes

Em qual governo construir ficou mais caro?

Acima da inflação, no primeiro mandato de Lula (2003 a 2006) e no de Bolsonaro (2019 a 2022), ambos com cerca de 11% de alta real pelo INCC-M. Os dois períodos tiveram choques externos: a disparada do dólar de 2002 e a pandemia.

Quanto o custo da construção subiu em 2026?

Até setembro, 5,85% no ano e 6,61% em 12 meses, pelo INCC-M da FGV.

O custo da obra cai depois da eleição?

Não há padrão histórico. O que pode mudar é o dólar, que afeta parte dos materiais. A mão de obra não depende da eleição.

O que é o INCC?

É o índice da FGV que mede a variação de preço de materiais, mão de obra e serviços da construção. É usado para reajustar contratos de obra e de imóveis comprados na planta.

Vale esperar para construir?

Esperar só compensa se houver expectativa de queda de preço, e o histórico mostra o contrário: o INCC-M subiu em todos os 23 anos analisados. O que dá para adiantar sem gastar com a obra é o projeto e a aprovação.

Mande a matrícula e o IPTU. A gente diz o caminho e o custo antes de começar.

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