
O cenário de juros e crédito em outubro de 2026
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Selic | 13,75% ao ano, desde 16/09/2026 | Banco Central |
| Cortes em 2026 | 5 cortes seguidos de 0,25 ponto, desde março | Banco Central |
| Próximo Copom | 3 e 4 de novembro, depois do 2º turno | Banco Central |
| Taxa de balcão do SBPE na Caixa | Entre cerca de 10,3% e 11,2% ao ano + TR | Radares de taxas, outubro de 2026 |
| Custo da construção | 6,61% em 12 meses (INCC-M, setembro) | FGV |
| Crédito imobiliário em 2026 | Projeção de R$ 410 bilhões, alta de 25% | Abecip |
A taxa do financiamento varia por banco, perfil e relacionamento. Simule sempre no banco antes de decidir.
Por que os juros ainda estão altos
O Banco Central manteve a Selic em 15% de junho de 2025 a março de 2026 e só então começou a cortar, devagar. O motivo é a inflação: o mercado projeta IPCA de 4,9% em 2026, acima do teto da meta, de 4,5%. Enquanto isso não muda, a tendência é de cortes pequenos.
A eleição entra na conta pelo lado fiscal. A dívida pública está em 82,9% do PIB, e o que o próximo governo fizer com as contas influencia os juros longos, que são a base do financiamento imobiliário. Depois do 1º turno, juros futuros e dólar caíram, mas analistas alertam que o movimento pode reverter.
O que observar depois de 25 de outubro
Três sinais vão mostrar para onde vai o crédito:
- A reação do mercado no dia seguinte ao 2º turno: dólar e juros futuros mostram como o resultado foi recebido.
- O Copom de 3 e 4 de novembro: se mantém o ritmo de corte de 0,25 ponto ou muda o tom.
- Os primeiros anúncios da equipe econômica eleita: regra fiscal e destino do FGTS e da poupança para a habitação.
- Mesmo em cenário favorável, os bancos não repassam a queda da Selic na hora. As taxas de financiamento costumam se ajustar ao longo de meses.
Fizemos as contas: esperar juro menor compensa?
Exemplo de financiamento de R$ 400 mil em 30 anos pelo sistema SAC, sem TR e sem seguros:
- A 11,0% ao ano: primeira parcela de R$ 4.605 e R$ 630,6 mil de juros no contrato inteiro.
- A 10,5% ao ano: primeira parcela de R$ 4.453 e R$ 603,2 mil de juros.
- Diferença: R$ 152 por mês no início e R$ 27,4 mil ao longo de 30 anos.
- Do outro lado, uma obra orçada em R$ 500 mil, com o INCC-M a 6,61% ao ano, fica cerca de R$ 16 mil mais cara em 6 meses.
- O padrão: esperar meio ponto de juro economiza aos poucos, ao longo de décadas; esperar para construir custa de uma vez, no orçamento. E quem já financiou pode fazer portabilidade ou amortizar se os juros caírem bastante depois.
O que fazer enquanto o cenário se define
Dá para adiantar o que não depende de juros nem da eleição:
- Projeto e aprovação. Projeto aprovado na Prefeitura leva meses. Fazer isso agora deixa a obra pronta para começar quando o crédito ficar melhor.
- Documentação do imóvel. Banco não aceita como garantia imóvel com área construída diferente da matrícula, sem habite-se ou sem averbação. É um dos motivos mais comuns de financiamento travado na análise.
- Regularização pela Anistia. Em São Paulo, construções concluídas até 31/07/2014 podem ser regularizadas pela Lei 17.202/2019 com protocolo até 30/11/2026, seja quem for o eleito.
Perguntas frequentes
A Selic vai cair depois da eleição?
O mercado projeta mais um corte de 0,25 ponto até dezembro, mas a decisão é do Banco Central e depende da inflação e do cenário fiscal. A próxima reunião é em 3 e 4 de novembro.
Quanto está o juro do financiamento imobiliário hoje?
Na Caixa, a taxa de balcão do SBPE gira entre cerca de 10,3% e 11,2% ao ano mais TR em outubro de 2026, segundo radares de taxas. Linhas com FGTS têm taxas menores.
Se os juros caírem depois, fico preso à taxa antiga?
Não necessariamente. A portabilidade de crédito permite levar o financiamento para outro banco com taxa menor.
Imóvel irregular pode ser financiado?
Em geral não. O banco exige matrícula com a área real averbada e, em casas, o habite-se. Regularizar antes evita perder a janela de crédito.
Vale a pena esperar para começar a obra?
Para a maioria, não. O custo da construção sobe cerca de 3% a cada seis meses, mais do que se economiza com meio ponto de juro no início do financiamento. Cada caso, porém, depende do valor financiado e do prazo.
Mande a matrícula e o IPTU. A gente diz o caminho e o custo antes de começar.
Falar no WhatsAppBase legal
- Lei Municipal 17.202/2019 (Lei da Anistia de São Paulo) e Decreto 65.481/2026 (prazo até 30/11/2026)
- Lei 6.015/1973 (Registros Públicos): averbação de construção na matrícula
Fontes
- Agência Brasil: BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano (16/09/2026)
- Poder360: datas das reuniões do Copom de 2026
- Mercado & Consumo: Abecip eleva projeção de financiamentos para 25% (24/08/2026)
- MySide: radar de taxas de financiamento imobiliário
- CNN Brasil: mercado após o 1º turno (06/10/2026)
- InfoMoney: Lula x Flávio, propostas para os gastos públicos (21/10/2026)
- FGV: INCC-M 2026
Conteúdo informativo, atualizado em 21 de outubro de 2026. Cada caso é analisado individualmente.


