Desecad Arquitetura & Assessoria Imobiliária
Mercado e economia · São Paulo

Eleição 2026: o que muda para quem vai construir, reformar ou regularizar

Os dois candidatos prometem manter a moradia popular e dar escritura a quem já ocupa o imóvel, por caminhos diferentes: Lula quer ampliar o Minha Casa, Minha Vida e o crédito para reforma; Flávio quer recriar o Casa Verde e Amarela com juros menores. Para quem tem casa em São Paulo, aprovação e regularização da obra continuam sendo regra municipal.

Por Desecad Arquitetura e Assessoria Imobiliária · atualizado em · 5 min de leitura

Projeto 3D da Desecad de sobrados geminados com garagem e portões pretos, moradia que depende de crédito e regularização

O que cada plano de governo propõe

Programa habitacionalManter e ampliar o Minha Casa, Minha Vida em todas as faixasRecriar o Casa Verde e Amarela
Meta numéricaNão informa2,5 milhões de moradias, sem prazo nem orçamento
Juros da moradiaNão trata no planoFinanciamento com juros reduzidos, sem número
Reforma da casaAmpliar o Reforma Casa Brasil, da CaixaNão trata no plano
Escritura para quem ocupaContinuar o programa Imóvel da GenteTítulos para ocupantes antigos, com prioridade para mulheres
Imóveis da UniãoUsar terrenos e prédios vazios em áreas centrais para moradiaVender imóveis da União como fonte de receita
Banco públicoCaixa como operadora dos programas atuaisCaixa reestruturada como "Banco da Prosperidade"
Regra fiscalManter o arcabouço, superávit de 1,3% do PIB até 2030Trocar por regra ligada à dívida, melhora de 1,5% do PIB em 18 meses

Resumo dos planos registrados no TSE, conforme a cobertura da imprensa até 21/10/2026. Os dois planos são genéricos: nenhum traz orçamento, prazo ou estudo de viabilidade para as metas de habitação. A Desecad não apoia candidatos; este conteúdo compara propostas.

O Minha Casa, Minha Vida hoje sustenta quase todo o mercado de lançamentos. Segundo a Abrainc, de setembro de 2025 a agosto de 2026 o programa respondeu por 86,7% das unidades lançadas e 83% das vendidas no país. Por isso o setor acompanha mais a continuidade das regras do que o nome do programa.

O plano de Lula promete manter o modelo atual e ampliar o alcance. O de Flávio fala em voltar ao Casa Verde e Amarela, que entre 2020 e 2022 reduziu juros nas faixas financiadas, mas priorizou terminar obras paradas em vez de contratar unidades novas para a faixa de menor renda. No horário eleitoral do 2º turno, Flávio afirmou que vai preservar o Minha Casa, Minha Vida e reduzir o valor das prestações, o que ainda não aparece por escrito no plano.

O Secovi-SP declarou não ter preferência entre os dois cenários, desde que três coisas sejam mantidas: o programa, o direcionamento do FGTS e da poupança para a habitação e a queda dos juros.

Escritura para quem já mora não é o mesmo que regularizar a construção

Os dois planos falam em dar título de propriedade a quem ocupa imóveis há anos. Isso é regularização fundiária: resolve a posse do terreno, geralmente em núcleos informais, pela Lei federal 13.465/2017 (Reurb).

A casa ampliada sem alvará, o sobrado sem habite-se ou a área construída que não consta na matrícula precisam de outra coisa: a regularização da edificação. Em São Paulo, ela é feita na Prefeitura, pelo licenciamento comum ou pela Lei da Anistia (Lei 17.202/2019), e depois averbada no cartório. Nenhum presidente muda essa regra, e o prazo atual da Anistia, com protocolo até 30/11/2026, também não depende da eleição.

Reforma e pequenas obras

O Reforma Casa Brasil é a linha de crédito da Caixa para obras em imóveis urbanos. Em maio de 2026, o Conselho Monetário Nacional baixou a taxa para 0,82% ao mês, com prazo de até 72 meses e parcela limitada a 25% da renda. O plano de Lula promete ampliar a linha; o de Flávio não cita crédito para reforma, mas propõe um programa de pontos (Ganha-Ganha) que daria juros menores a quem paga em dia.

Para usar qualquer crédito de obra, vale lembrar: o banco pede a documentação do imóvel em ordem. Matrícula com área diferente da real costuma travar a análise.

Juros e contas públicas: o efeito indireto, e o mais importante

Presidente não define a Selic; quem define é o Copom, do Banco Central. Mas a política fiscal pesa no custo do dinheiro: quando o mercado desconfia das contas públicas, os juros longos sobem, e são eles que formam a taxa do financiamento imobiliário. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto.

Lula propõe manter o arcabouço fiscal e buscar superávit de 1,3% do PIB até 2030. Flávio propõe trocar o arcabouço por uma regra ligada ao tamanho da dívida, com corte de ministérios, privatizações e revisão de impostos como o IOF. Os dois prometem preservar benefícios sociais, e nenhum detalhou o efeito de cada medida.

O primeiro sinal virá do mercado no dia seguinte ao 2º turno e do Copom de 3 e 4 de novembro.

O que não depende de quem ganhar

Para quem tem imóvel em São Paulo, estas regras seguem iguais em qualquer cenário:

  • Aprovar projeto, tirar alvará e habite-se: regra municipal.
  • Regularizar construção existente e averbar no cartório: regra municipal e do registro de imóveis.
  • Prazo da Lei da Anistia em SP: 30/11/2026 (Decreto 65.481/2026).
  • Banco só aceita como garantia imóvel com documentação em ordem, em qualquer governo.
  • Quem está com o imóvel irregular e pensa em financiar, vender ou reformar no ano que vem ganha tempo resolvendo isso agora, enquanto o cenário econômico se define.

Perguntas frequentes

Quem vencer vai acabar com o Minha Casa, Minha Vida?

Os dois candidatos dizem que manterão a moradia popular. Lula propõe ampliar o programa atual; o plano de Flávio fala em recriar o Casa Verde e Amarela, embora ele tenha dito na TV que preservará o Minha Casa, Minha Vida. As regras de transição só serão conhecidas depois da posse.

A eleição muda o prazo da Lei da Anistia em São Paulo?

Não. A Anistia é lei municipal, e o prazo de protocolo vai até 30/11/2026 pelo Decreto 65.481/2026.

O presidente consegue baixar os juros do financiamento?

Não diretamente. A Selic é decidida pelo Banco Central, e a taxa do financiamento acompanha os juros longos, que reagem à confiança nas contas públicas.

Regularização fundiária e regularização de imóvel são a mesma coisa?

Não. A fundiária resolve a propriedade do terreno; a da edificação resolve a construção, com alvará, habite-se e averbação da área na matrícula.

Vale esperar a eleição para começar a obra?

O custo da construção sobe cerca de 6,6% ao ano (INCC-M em 12 meses até setembro de 2026). Projeto e aprovação podem andar enquanto o cenário se define.

Mande a matrícula e o IPTU. A gente diz o caminho e o custo antes de começar.

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